Responda às questões colocadas por Schopenhauer ao final desse texto.
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Tomem-se dois jovens, Caio e Tito, ambos apaixonados, cada um por uma moça diferente. No caminho de cada um, por circunstâncias externas, há um rival preferido. Ambos estão decididos a mandar os seus respectivos rivais para o outro mundo e ambos não correm o risco de serem descobertos ou mesmo de se tornarem suspeitos. Todavia cada um deles, por seu lado, ao se aproximar a realização do assassinato, dele desiste, depois de uma luta consigo mesmo. Eles têm de nos prestar contas, precisas e claras, das razões da desistência de suas resoluções. A explicação de Caio deve ficar por conta da escolha do leitor. Ele pode ter sido demovido talvez por razões religiosas, como a vontade de Deus, o castigo que o espera, o juízo futuro, etc. Ou ele diz: “Eu pensei que a máxima de meu procedimento neste caso não teria sido adequada a dar uma regra universalmente válida para todos os possíveis seres racionais, pois eu teria tratado meu rival só como meio e não, ao mesmo tempo, como fim”. Ou ele diz com Fichte: “Cada vida humana é meio para a realização da lei moral. Portanto, sem ser indiferente à realização da lei moral, não posso aniquilar alguém que é destinado a colaborar com ela”. (Doutrina dos costumes, p. 373). (Dizendo de passagem, ele poderia prevenir-se desse escrúpulo, esperando produzir logo, com a posse de sua amada, um novo instrumento da lei moral). Ou ele diz, de acordo com Wollastone: “Refleti que aquela ação seria expressão de uma proposição não verdadeira”. Ou diz, de acordo com Hutcheson: “O sentido moral cujas sensações são tão inexplicáveis quanto a dos outros sentidos destinou-me a abandoná-la”. Ou diz, de acordo com Adam Smith: “Eu previ que minha ação não despertaria nos observadores nenhuma simpatia por mim”. Ou, de acordo com Christian Wolff: “reconheci que por essa ação eu estaria trabalhando contra meu próprio aperfeiçoamento e que também não promoveria o de nenhum estranho”. Ou diz com Espinosa: “nada é mais útil para o homem que o próprio homem, logo eu não poderia querer matar um homem”. Em suma, ele diria o que se quisesse. Mas Tito, cujas razões eu reservo para mim, diria: “Quando chegou a hora dos preparativos e, por um momento, não tive de me ocupar com a minha paixão e sim daquele rival, tornou- se-me claro, pela primeira vez, o que se passaria com ele. Fui então tomado pela compaixão e pela misericórdia, tive dó dele e não tive coragem: eu não poderia fazê-lo”. Agora pergunto ao leitor honesto e imparcial: qual deles é o melhor homem? Nas mãos de quem poria, de melhor grado, o seu destino? Quem foi impedido pelo motivo mais puro? Onde está, de acordo com isso, o fundamento da moral? (Arthur Schopenhauer, Sobre o Fundamento da Moral, § 19).
Na minha opinião, o segundo homem foi mais íntegro. O primeiro homem escuda-se em argumentos de terceiros para demover sua própria vontade da pratica do homicídio, argumentos tais que se apoiam em conceitos abstratos, muitos dos quais tão egoístas quanto a própria vontade de matar, apenas para garantir a própria integridade pós-crime. O segundo homem despe-se do egoísmo e assume, perante si mesmo, a falta de coragem frente à percepção do outro como um igual, de que não seria certo, em sua própria racionalidade, tirar a vida de alguém que é como ele mesmo. O homem percebe no outro a imagem que é a de si mesmo, como num espelho que reflete seu próprio ser. Sem teorias e argumentos, apenas a alteridade, que é o fundamento mais puro da moral e da justiça: não fazer a outro aquilo que não quer que se faça a si próprio.
ResponderExcluirGustavo Monteiro
ResponderExcluirRA: 21039314
Independentemente da justificativa a ser dada por Caio, a sensação que a leitura passa é de que o mesmo se preocupa mais com relação ao julgamento externo e com as consequências que seus atos podem trazer a si próprio do que com o real destino de seu rival. Ao meu ver, Caio é, basicamente, a representação daquilo que Schopenhauer retrata como uma ação egoísta, buscando única e exclusivamente o seu bem-estar individual acima de todos os outros.
Ao contrário deste, Tito abraça uma visão totalmente diferente, se pondo no lugar de seu rival e agindo através de um sentimento de empatia, sendo este o motivo da desistência de sua ação e dando a entender o mesmo como sendo uma representação daquilo que Schopenhauer trata como o fundamento da moral: a compaixão. Dado isto, acredito que este seja, dentre os dois, aquele a quem concederia o meu destino e, consequentemente, posso afirmar que ele é um homem melhor em comparação à Caio, tendo sido impedido de agir através de um motivo muito menos individualista que o outro.
ResponderExcluirContextualizando o trecho acima com a filosofia schopenhauriana, acredito que Caio seja o melhor homem e o que foi impedido pelo motivo mais puro, pois entendo que ele foi movido pela compaixão, que é o fundamento ético de Schopenhauer.
Segundo o filósofo, através da compaixão, uma pessoa coloca-se no lugar da outra, anulando assim a sua própria individualidade e deixando de ser indiferente ao estado do outro. É justamente nesse ponto que reside o fundamento da moral, pois Caio pretendia praticar uma ação maldosa, agindo pelo mal do próximo, contudo, foi então tomado pela compaixão e, dessa forma, passou a agir e considerar o bem-estar desse sujeito que inicialmente pretendia prejudicar, não sendo mais alheio ao sentimento dele.
Seria nas mãos de Caio que eu colocaria o meu destino, uma vez que a compaixão move as pessoas a agirem, a se mobilizarem, a ajudarem, ou até mesmo a se sacrificarem por alguém.
Em minha visão, as razões de Tito me parecem mais genuínas e verdadeiras. Por consequência, mais fortes. Enquanto Caio se esquiva com argumentações de terceiros, pelo fato de serem inclusive utilitaristas, não me parece que sejam boas razões e nem que Caio tenha abandonado o desejo. Tito se entrega à compaixão e humaniza seu adversário, abandonando o desejo de aniquilá-lo.
ResponderExcluirSe Caio não tivesse conhecimento dessas razões, ele faria. Enquanto isso, a empatia é algo que todos podem exercitar sem muita necessidade argumentativa. Por acreditar nisso, o melhor homem foi Tito.
Amanda Soares RA 21070815
Ambos os homens são igualmente íntegros, posto que não praticaram um homicídio por um motivo banal sem a necessidade da intervenção de um terceiro. Concretamente, qual a fundamentação moral concretamente utilizada para a não pratica do homicídio é uma questão secundária no debate, quase uma questão estupidamente bizantina. Até pelo fato de que, se o objetivo final do sistema moral é a não prática do homicídio, independentemente da fundamentação, essa se deu.
ResponderExcluirDiante dos fatos e informações contidos no enunciado, e considerando que a compaixão - um dos fundamentos da moral - é o motivo mais puro que qualquer um dos homens poderia seguir, entendo que o melhor entre eles - aquele que supostamente eu confiaria meu destino - é o que, a partir da compaixão, foi capaz de vencer a si prórpio rompendo as amarras que o prendiam a um certo tipo de ilusão caracterizada pela vontade de matar.
ResponderExcluirEm certa medida, ao desistir de sua intenção, ao poupar a vida de outro ser humano, ao seguir não uma convenção estabelecida por alguns em relação a outros poucos, mas um princípio moral aplicável à sua própria vida, este homem triunfou não apenas sobre seu egoísmo e a maldade semeada em seu coração, mas também deu fim ao sofrimento que as circunstâncias da vida estavam lhe causando.
Aleksandro Siqueira
RA 21056316
Caio buscar agir por meio de máximas ou preceitos enquanto tito possui uma ação mais nobre, pois sua ação é ausente de egoísmo "A ausencia de toda motivação egoísta é, portanto o critério de uma ação dotada de valor moral" sendo livre de egoismo trata-se de uma ação dotada de compaixão.
ResponderExcluirRenan Kaique de Almeida RA:21068916
Acredito que nenhum dos dois é melhor que o outro, mas ambos bons homens por não terem cometido o crime. Segundo Schopenhauer, o fundamento da moral é a compaixão, que levaria a uma ação altruísta pelo reconhecimento e identificação da unidade da Vontade no outro. Portanto, o personagem que tomou sua decisão baseada na compaixão estaria fazendo uso da verdadeira moral e fora de sua própria vontade, logo, de maneira mais pura. Nesse aspecto, eu escolheria deixar meu destino nas mãos de Tito, pois Caio ainda age dentro de sua própria vontade, que em algum momento pode falar mais forte a favor do homicídio, o que não ocorreria com aquele que decidiu-se fora do espectro de sua própria Vontade.
ResponderExcluirNathalie Uchino Orioli, RA:21003716
ResponderExcluirTito, o segundo homem, é, em minha opinião mais íntegro. Caio apresenta uma série de argumentos voltados para o pensamento exterior, para o julgamento externo, sem nenhum tipo de compaixão, mas voltado ao egoísmo.
Sendo a compaixão a base pra a moral, e além disso, segundo Schopenhauer, o contraaponto ao egoísmo, o segundo personagem, Tito, apresenta a compaixão enquanto princípio fundamental, parte da ética da compaixão de Schopenhauer.
Pedro Henrique Pasquoto Lagosta RA: 11201722572
ResponderExcluirObserva-se duas formas de se solucionar um problema. Caio encontra na relação dos externo com o interno a resposta para sua dúvida moral. O fato de haver uma relação direta entre suas vontades internas e as ações que delas surgem, com o mundo externo e as outras pessoas faz com que tudo aquilo que é expressado por ele, a partir de sua Vontade, deixa de ser algo apenas seu, adentrando no mundo tangível por todos. Não julga sua ação como ruim por natureza, mas sim por causar uma reação ruim na medida em que se relaciona com as outras pessoas. Já Tito encontra a resposta dentro de si, julgando não o resultado externo de sua ação mas sim o interno. Antes mesmo de considerar o que seria pensado sobre sua ação, ele pensa em como ela se relacionaria com o interno de seu rival. Parte de um conhecimento pré-concebido sobre o assassinato, assumindo qual resultado ocorreria se o realizasse e, a partir da conclusão alcançada, chega em uma resposta. Nele se vê menos uma relação entre sua Vontade e o externo, mas sim a relação entre sua Vontade e outra Vontade, alheia a ele.
Tito me parece mais moral, pois parte do princípio de que a sua Vontade não é a única, que a maneira como pensa sobre si pode ser aplicada sobre os outros. Assim, baseia sua atitude na igualdade presente entre as pessoas. Não vejo que Caio seja imoral, pois entende que sua Vontade apenas se torna concreta para os outros na medida em que a pratica, qualquer outro pensamento prévio ou vontade não podem ser julgadas, pois não são conhecidas. Porém não coloca a Vontade do outro em consideração, apenas a sua, realizando a ação de acordo com o balanço entre os ganhos e as perdas.
O texto não apresenta motivos pelo qual Caio e Tito possuem seus respectivos rivais, mas ao analisar o que fez com que cada um declinasse do homicídio, afirmo que entre os dois, Tito é o mais íntegro.
ResponderExcluirCaio poderia justificar que não cometeu o assassinato por medo de uma punição divina ou por temer uma punição das leis dos homens, considero esses motivos pouco nobres, pois, o que o impediu de matar foi o medo de sofrer uma consequência pior do que a que sofreria o seu rival. No entanto, Caio poderia ter utilizado uma boa justificativa como a de Fichte, Wolff ou Espinosa e então poderíamos considerar a sua atitude como a de um bom homem, ou a atitude de um homem que deseja ser melhor.
Entretanto, considero que Tito é o melhor homem, pois, o seu motivo para não cometer o homicídio foi o mais puro, porque no momento em que declinou, o fez por ter se colocado no lugar de seu rival e naquele instante pensou na dor e no sofrimento do seu inimigo, provavelmente pensando no quão ruim seria sofrer um atentado desse tipo.
Se os motivos que Caio e Tito tinham para assinar o seus respectivos rivais não fossem motivos de legítima defesa, para impedir a ocorrência de uma injustiça, estariam então apenas agindo para praticar o mal a outra pessoa, assim Tito é de fato o melhor homem, pois, apesar de sua maldade foi capaz de sentir compaixão. Portanto, escolheria Tito para entregar de bom grado meu destino.
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